Jornada: como entrei e porque não saí do universo freelancer

Como muitos me tornei (redatora) freelancer por falta de oportunidade no mercado formal. E, como muitos outros, ao menos por ora, prefiro me manter assim, livre…

Seja devido à crise, que vem eliminando postos de trabalho no país, ou por causa das mudanças no mercado, cresce o número de trabalhadores por conta própria – os chamados freelancers e os microempreendedores individuais (MEIs) –, em especial entre os mais jovens. Atualmente, um em cada quatro jovens está fora do mercado formal no Brasil.

O trecho em destaque acima é de uma matéria recente (17/07) publicada pelo Jornal O Tempo. Ambas as situações descritas — a que diz respeito à economia e a que diz respeito às mudanças do mercado — explicam a minha decisão de tentar a vida como redatora freelancer.

Comecei porque estava tendo dificuldades em me encaixar nas vagas que surgiam. Desde a conclusão da graduação em Jornalismo (2012), eu sentia que o mercado não estava favorável para a profissão, num panorama geral, e para mim, dentro daquilo o que eu me imaginava fazendo.

Por isso, não demorei em buscar um MBA para expandir o leque de possibilidades e tentar me (re)colocar no mercado. Depois de estudar Comunicação Digital e Mídias Sociais (2014), eu acabei entrando para o universo da assessoria em ambiente digital. Estava, de certa forma, tudo relacionado, mas havia um desencontro.

Foi esse desencontro que me fez voltar e ficar perdida diante do mercado quando, no final de 2016, o projeto em que minha equipe trabalhava acabou, colocando um fim naquela experiência profissional.

Nesse período em que eu estive desempregada, fiz e constatei algumas coisas:

  • Busquei e me candidatei a vagas com o meu perfil ou que se aproximavam dele – há sempre um caminho para chegar “exatamente” onde a gente quer. Nem sempre é viável ir em busca apenas dos “empregos dos sonhos”;
  • Arrisquei vagas que não tinham a ver com o meu perfil, mas para as quais eu era capacitada – trabalhar com algo que não tem nada a ver com a nossa área é algo que foi mais comum para as gerações passadas. Decidi acatar que essa poderia ser a saída para mim, mas acabei sendo recusada por excesso de qualificação ou por ser alguém que, de área diferente, logo tentaria sair da empresa; 
  • “Cutuquei” amigos e colegas regularmente –  networking é mais do que uma palavra batida e, de fato, que não é visto não é lembrado. Se não me encontrassem no mercado (porque eu não estava lá), me encontravam pelos chats, em conversas em que eu pedia que se lembrassem de mim caso surgisse alguma oportunidade (colho os frutos disso até hoje!); 
  • Me qualifiquei mais – há uma variedade de cursos online e gratuitos que podem servir tanto como adição interessante ao currículo quanto de combustível para manter o cérebro ativo e motivado.

Foi seguindo essa dinâmica que alguns desses amigos que eu cutuquei me contaram que estavam trabalhando como freelancers. No começo, eu fiquei com medo e nem foi da instabilidade porque, àquela época, eu já nem tinha renda! Foi pela insegurança de não saber como me preparar.

Para isso, os cursos da Rock Content foram uma baita mão na roda (além de serem uma exigência comum de quem contrata redator freela) e me colocaram um passo adiante para o início da minha jornada.

O passo seguinte foi voltar a cutucar geral e avisar que, a partir de agora, eu estava disponível para jobs freela e adivinhem só? Eles apareceram muito mais facilmente do que qualquer indicação para uma vaga no mercado formal.

Então eu comecei e o fiz com muita sinceridade. Seja porque a dinâmica da sociedade está mudando ou em função de uma cultura da era das startups / crescimento do empreendedorismo ou pela falta de oportunidades que aumenta a solidariedade mesmo, as pessoas foram abertas e compreensivas.

Sempre que eu disse que estava começando, ou me indicaram caminhos para me preparar melhor ou aceitaram que eu fizesse testes (remunerados) para saber se daríamos sequência ou não aos trabalhos.

Isso foi em maio e, de lá pra cá, ainda não parei com a vida de freelancer, mas poderia.

fabula

Recentemente, algumas oportunidades de emprego formal (CLT + benefícios) bateram à minha porta. Lembram quando eu disse que até hoje colho frutos das cutucadas que dei nos amigos? Pois é.

Pouco antes de essas vagas aparecerem, eu havia conversado com pessoas que são freelancer há mais tempo do que eu sobre a possibilidade e o desejo de retornar ou não ao mercado formal.

Por ora, a minha curta vida de freela me fez aprender a dar mais valor ao meu trabalho. Eu sei o quanto eu consigo receber atualmente e faço projeções de novas quantias, à medida que ganho experiência, conhecimento, fidelizo clientes e posso intensificar meu ritmo de produção ou cobrar mais.

A vida de freelancer, porém, se caracteriza por um tanto de “se”. Se o cliente X não cancelar, se o Y continuar pagando em dia, se o z realmente fechar o novo projeto, se…. Por isso, quando me deparei com a fábula ilustrada acima, na página do Vivendo de Freela, achei que cabia falar um pouco sobre tudo isso o que está aqui.

Quando as mencionadas oportunidades me apareceram, me deram uma baita dor de cabeça e eu demorei a tomar uma decisão em paz e deixar a vida seguir.

Se você entrou na vida de freela por causa de um mau momento do mercado e sempre pretendeu voltar para o formal, provavelmente vai fazê-lo sem muita preocupação. A estabilidade, o ganho fixo é realmente algo que atrai. Traz segurança e até conforto emocional.

Se, por outro lado, você se tornou freelancer e gostou da coisa (como eu) ou já tinha isso como meta de vida, analisar uma oportunidade do mercado formal pode não ser tão fácil.

Há tempos, o mercado para Comunicação não paga bem. Como redatora freelancer, tenho meses melhores do que outros e passo um mini aperto todo fim de mês, enquanto espero os clientes confirmarem suas demandas para as semanas seguintes.

A minha decisão de não voltar ao emprego formal — ao menos, não por ora — foi baseada na ideia (real) de que ser freelancer é empreender e empreender é arriscar. É claro que deve haver racionalidade, estudo, ponderação… em tudo isso.

E foi assim que eu decidi acreditar no trabalho que venho desenvolvendo, na reputação que estou construindo e nas projeções que fiz para me dar mais um tempo para ir ainda mais além, obtendo resultados — e não somente os financeiros — que reforcem a ideia de que está valendo a pena continuar como freelancer em tempo integral.

free.jpg
Photo by Paul Bence on Unsplash

Não faz nem um ano que atuo como freelancer. Tenho muito chão pela frente, mas já tenho gosto o bastante pela sensação de mais liberdade (free vem de livre e não de “de graça”, ok?), de flexibilidade e autonomia.

Por isso, enquanto analisei as vagas que me apareceram, eu coloquei na lista a possibilidade ou não de manter alguns clientes e jobs enquanto freelancer. Para alguns, até funciona. No futuro, pode ser que dê certo para mim. Pelo sim ou pelo não, até que algo revire a minha mente, seguirei por esse caminho aqui. Precisando, é só me chamar e deixa que eu escrevo, tá? 😉

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4 comentários Adicione o seu

  1. Anne disse:

    Me identifiquei super com o post! Também sou freelancer e no começo não foi por minha escolha e sim pela dificuldade no mercado de trabalho. Hoje vejo o quanto meu trabalho vale e apesar das incertezas, ser freelancer é muito bom!

    Curtido por 1 pessoa

    1. Lari Reis disse:

      Não sabia que você era freelancer, Anne! Você trabalha com redação também, algo mais ou outra área? Quem sabe a gente troca umas figurinhas depois!

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