Vida de freelancer, férias e otras cositas más – um post sobre planejamento

Planejamento é uma coisa necessária a qualquer um que queira ser freela. E é válido lembrar porque, na correria da rotina, “detalhes” importantes podem acabar sendo subestimados

Ser freelancer é empreender. E isso significa mesmo ser dono do próprio negócio ou se transformar em uma empresa, mesmo quando você não formaliza a coisa.

Isso significa que é preciso fazer pesquisa, projeções e planejamento para tentar garantir que vai ser possível segurar as pontas (a.k.a pagar as contas) durante o período em que a renda não atinge o nível necessário ou desejado. E vai além…

Para muita gente, é bem normal não tirar a quantia que seria “o suficiente” nos primeiros meses de trabalho. Quando eu comecei como redatora freelancer, tinha um ritmo tão lento (se comparado ao de hoje) que minha produção era baixa e rendia bem pouco.

Um adendo: desde aquela época, eu já ganhava por conteúdo um valor justo, considerado dentro do praticado no mercado. A questão é que eu não produzia o suficiente para me equiparar ou superar um salário da área ainda.

E eu sabia que seria assim. Portanto, precisei traçar um plano financeiro para que eu soubesse por quanto tempo poderia me dedicar a aprimorar meu ritmo de produção sem entrar em pânico ao final de cada mês ou precisar pedir um empréstimo, por exemplo.

Felizmente, deu certo. E isso, claro, tem relação com a reserva que eu tinha e com as metas de trabalho que estabeleci e busquei para conseguir pegar mais e mais jobs (sem cometer a loucura de me sobrecarregar, perder prazos ou entregar conteúdos de baixa qualidade).

Gradativamente, passei a produzir o suficiente para ganhar o que precisava para saber que sim, em bons meses eu conseguia viver de freela. Por que “em bons meses”? Porque a vida de freelancer ensina que nem sempre temos clientes fixos, que os clientes podem desistir do job ou que pode aparecer coisa demais, a ponto da gente começar a recusar trabalho.

À altura da conquista da minha segunda meta (a primeira era conseguir entrar no meio e a segunda ganhar o mínimo necessário), eu sabia que ainda precisava melhorar para tentar garantir viver de freela mesmo em meses não tão bons. E isso é algo que, novamente, inclui um planejamento que não é puramente financeiro.

Como eu disse, é preciso investir no aumento da própria capacidade de trabalho e, também, nas habilidades para prospectar novos clientes sempre que necessário. Aqui cabe mais uma relação com o verbo empreender porque muita gente entende isso como vender seu peixe e sustentar seu negócio o tempo todo.

E é basicamente isso mesmo. Para conseguir mais clientes, a gente não pode simplesmente esperar que alguém poste uma proposta num grupo de Facebook ou que surja um e-mail desses sites de oportunidades. Por vezes, a saída é criar a necessidade do cliente (sendo honesto, por favor), mostrando como ele poderia se beneficiar do seu serviço e encontrando formas de levar isso adiante.

Depois de alguns meses nessa vida de freelancer (oficialmente, eu comecei em maio de 2017), eu recebi propostas de trabalho no mercado tradicional e as recusei. Contei os motivos para essa decisão ao relatar minha jornada como freela, neste outro post.

A questão é que, quando essas propostas apareceram, eu ainda não tinha segurança total para recusá-las com tranquilidade. Preto no branco, isso significa que eu ainda tinha medo da instabilidade do universo freelancer porque, como se sabe, não há renda fixa. Mas há outros fatores a serem colocados na balança e que podem ter pesos diferentes em momentos diferentes da trajetória profissional…

Não há renda fixa porque não há salário. Não há garantias que a CLT trás. Freelancer ganha pelo dia trabalhado, conforme as oportunidades que conquistou e a sua capacidade de produção. Ganha conforme o seu planejamento e algumas coisas que fogem a ele.

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Photo by STIL on Unsplash

Não existem férias remuneradas [sim, chegamos até esse assunto!] e que não existe a possibilidade de apresentar um atestado médico na certeza de que, enquanto se recupera de uma enfermidade, a gente ainda vai conseguir manter o job, o ganho ou o cliente!

E como lida com tudo isso? Com o tal do planejamento que, certamente, não funciona sempre na urgência, de uma semana para a outra.

Tudo isso porque, ao menos na minha área de produção de conteúdo, há clientes que não apresentam demandas para serem feitas/entregues nos feriados, por exemplo. Ao mesmo tempo que isso significa possibilidade de descanso, significa também uma possível redução nos ganhos. A menos que o planejamento permita compensar.

Além disso, há épocas em que o volume de trabalho tende a diminuir, como nos meses finais do ano ou até acontecer esse fenômeno do ano que só começa depois do Carnaval. Dá pra fugir disso? Dá. Mas é bom sempre ter essas possibilidades em mente para não passar aperto!

Pensar em tantas variáveis é essencial para saber o que espera um profissional freelancer. Mas não há razão para se desesperar. É aos poucos que se aprende a planejar, mas é bastante válido ter algumas dicas quanto aos fatores a considerar 😉

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